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São Paulo,19/04/2026

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Careca do INSS” silencia relator, e sessão da CPMI se transforma em guerra verbal

Recusa como estratégia de defesa ou escudo contra a verdade?


Careca do INSS” silencia relator, e sessão da CPMI se transforma em guerra verbal

O depoimento de Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS”, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, foi marcado por embates, acusações e uma recusa emblemática: ele se negou a responder perguntas do relator. O resultado? Uma sessão tumultuada, cheia de gritos, acusações cruzadas e tensão crescente. 

Recusa como estratégia de defesa ou escudo contra a verdade?

Durante sua fala inicial, Antunes justificou o silêncio declarando que o relator, Alfredo Gaspar (União-AL), já o havia “julgado sem ouvi-lo”. “O Relator já me julgou sem me ouvir”, afirmou, alegando que Gaspar teria calado o público e o acusado ao rotulá-lo de ladrão. 

Gaspar, por sua vez, iniciou o episódio da CPMI com uma acusação frontal: “Hoje é um dia muito importante para esta comissão … presente aqui o autor do maior roubo a aposentados e pensionistas da história do Brasil”.  Em retaliação, o advogado de Antunes, Cleber Lopes, confrontou o parlamentar, o que gerou reações, debates acalorados e levou agentes da polícia legislativa a serem acionados — ainda que não tenham sido necessários para intervir fisicamente. 

Bate-boca institucional: quando o poder se cala e se escuda

A sessão chegou a ser interrompida pelo vice-presidente da CPMI, Duarte Jr (PSB-MA), que assumiu a presidência provisória diante da confusão no plenário.  O motivo: embates entre parlamentares, o advogado e o relator escalando em tom mais agressivo do que qualquer depoimento contestado.

Na mira do relator estavam perguntas sobre a trajetória patrimonial de Antunes, relações institucionalizadas com servidores do INSS e denúncias de propina milionária. Gaspar projetou no telão uma imagem de Antunes ao lado de dirigentes do INSS durante o governo Lula, e questionou: “quem deu autorização para um quadrilheiro sentar na mesa da Previdência Social?” 

O cerne do caso: fraudes no INSS e impunidade estatal

Antunes está preso preventivamente em função de ações da Polícia Federal no âmbito da operação Sem Desconto, que investiga um esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS para enriquecimento ilícito. Ele foi liberado para depor após um habeas corpus concedido pelo STF.  apelido “Careca do INSS”, afirmando se tratar de uma construção midiática: “jamais fui este personagem fictício… sou vítima de uma narrativa construida”.  Ele defendeu que encontros com políticos teriam sido “coincidência” e apresentou justificativas inusitadas, como sua relação com senadores por causa de tratamentos com cannabis e “paixão por carros”. 

Responsabilidade e transparência — ou silêncio e artifícios?

A postura de Antunes evidencia uma tendência preocupante: o uso do silêncio seletivo como estratégia de defesa institucional. Se o acusado impede o esclarecimento dos fatos quando confrontado, transforma uma comissão de investigação num palco de teatro, em que acusações e retaliações se misturam à falta de prestação de contas.













Mais preocupante ainda é que isso ocorre num contexto em que o Estado já demonstra intensa fragilidade para fiscalizar seus próprios entes e conter uma máquina estatal inchada. Se até os órgãos de investigação capitulam diante do poder político e jurídico, quem resta consciente para cobrar transparência e responsabilização?




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