Dia Mundial do Meio Ambiente: repensar a vida nas cidades é urgente para garantir um futuro sustentável
No Brasil, onde cerca de 85% da população vive em áreas urbanas, o debate sobre a preservação ambiental ganha contornos ainda mais urgentes.
Neste 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, o planeta inteiro volta seu olhar para os desafios ambientais que se agravam a cada ano — e também para as soluções possíveis que já estão ao nosso alcance. Em 2024, o tema proposto pela ONU é “Acelerando a restauração da terra, a resiliência à seca e o progresso da desertificação”, um chamado claro à ação imediata e efetiva para preservar as bases da vida.
No Brasil, onde cerca de 85% da população vive em áreas urbanas, o debate sobre a preservação ambiental ganha contornos ainda mais urgentes. As cidades, que um dia floresceram em territórios de alta riqueza natural, hoje enfrentam os efeitos da destruição de seus próprios ecossistemas: ondas de calor extremo, escassez hídrica, poluição do ar, enchentes e perda da biodiversidade.
Para refletir sobre esses temas e destacar caminhos possíveis para a regeneração urbana, entrevistamos Juliana Gatti, Mestre em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável, especialista em Design para Sustentabilidade e presidente do Instituto Árvores Vivas, organização que há 20 anos atua pela reconexão entre pessoas e natureza.
Cidades, pessoas e natureza: uma única teia
“As cidades e as pessoas, e o ambiente são uma coisa só”, afirma Juliana. “O planeta é um organismo vivo. As cidades foram estabelecidas em territórios prósperos, com muito acesso à água potável, solos ricos e uma enorme diversidade de flora e fauna. Por isso, conservar os biomas onde essas cidades estão estabelecidas é primordial.”
Ela lembra que o direito ao meio ambiente equilibrado é garantido pela Constituição, e que sua degradação impacta diretamente a saúde física, emocional e social da população. “A qualidade ambiental urbana é essencial para a prosperidade humana e deve ser garantida de forma justa e igualitária.”
Reconectar-se com a natureza começa onde estamos
Presidir o Instituto Árvores Vivas colocou Juliana no centro de iniciativas que promovem a reconexão entre cidadãos e a biodiversidade que ainda resiste nos territórios urbanos.
“Estamos vivendo uma crise ambiental gigantesca. A perda da biodiversidade e a degradação ambiental refletem a forma como tratamos o planeta — e também a nós mesmos. Para reverter esse cenário, é preciso criar hábitos diários de conexão com a natureza perto da onde vivemos.”
Ela sugere práticas simples e significativas: respirar profundamente e se conectar com o ar ao seu redor, agradecer pela água potável, plantar árvores na rua onde mora, ou ainda participar ativamente da regeneração de praças e parques.
“Se você não souber como começar, procure o poder público, dialogue com vereadores, gestores e organize ações coletivas. Reivindique esse direito.”
O poder do consumo consciente
Juliana também destaca a importância de decisões cotidianas na construção de uma cultura mais sustentável.
“A forma como consumimos muda realidades. Comprar de pequenos produtores locais, optar por alimentos frescos e sazonais, evitar marcas que ignoram os impactos ambientais — tudo isso é parte de uma mudança de consciência.”
Ela reforça: “Cada ato de consumo é também um ato político. Precisamos nos responsabilizar e exigir compromissos reais das empresas com o meio ambiente.”
Um dia para lembrar, agir e transformar
Para Juliana, o Dia Mundial do Meio Ambiente é uma oportunidade simbólica e prática de reavivar compromissos coletivos com a sustentabilidade.
“Essa data nos faz lembrar que qualidade ambiental é um valor essencial à vida. É um dia para colocar a mão na massa, envolver-se com ações reais e reafirmar o compromisso com uma vida em harmonia com todos os seres — árvores, aves, mamíferos e nós mesmos.”
Manifesto por cidades mais verdes
Encerrando a entrevista, Juliana deixa um convite:
“Conheçam o Instituto Árvores Vivas e o nosso manifesto ‘Salvem as Árvores das Cidades’. Toda árvore adulta hoje representa um mínimo de qualidade ambiental. Precisamos cuidar delas e trabalhar junto ao poder público para garantir que nossas cidades sejam regeneradas — e que nenhuma pessoa esteja a mais de 300 metros de um espaço verde de qualidade.”
Para ela, o ideal seria que todos tivessem três árvores de grande porte ao redor de suas casas e 30% de cobertura vegetal nos bairros. Essa é uma das metas que o Instituto defende como parâmetro mínimo para garantir bem-estar coletivo.
🌱 Acesse: www.arvoresvivas.org.br
🌳 Assine o Manifesto: Salvem as Árvores das Cidades
Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, a pergunta que fica é simples e profunda: que legado estamos deixando em nossas ruas, bairros e cidades para as próximas gerações?
A resposta pode começar com uma árvore plantada, uma praça cuidada, uma escolha mais consciente — e a certeza de que somos natureza.
Assista a entrevista na íntegra:




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