Tony Araújo
A Celebração ao Poste
Parabéns ao Poste
Poste em rua ErmoA Celebração do Poste:

Hoje é aniversário do poste! Parabéns, que você continue firme e forte transmitindo essa energia para todos nós e nos ilumine sempre!
Hoje é um dia especial na esquina da Rua das Flores com a Avenida da Alegria: Sim! é aniversário do poste! Pode parecer estranho, celebrar o aniversário de um objeto inanimado, mas aqui na vizinhança, sempre fizemos um pouco diferente. O poste, com seu manto de tinta desgastada e sua lâmpada piscante, é quase um membro da família.
Já faz anos que ele está por aqui, observando o cotidiano dos moradores. Incontáveis histórias passaram por ele: o amor que floresceu durante uma noite de verão, as risadas das crianças jogando bola na calçada, e até os desabafos solitários de quem, por algum motivo, parava ali por algumas horas. O poste é um confidencial silencioso, testemunha dos melhores e piores momentos, sempre firme e forte.
Parabéns, amigo de luz! Hoje, sob o céu nublado, resolvemos celebrar a sua resistência e importância. Um grupo de crianças, liderado pela pequena Lúcia, decidiu que era dia de festa. Carregaram balões coloridos e uma faixa escrita à mão: "Feliz Aniversário, Poste!" E ali ficamos, em volta do velho amigo, rindo e contando histórias que ele tão bem conhece, como se ele pudesse ouvir e em troca nos iluminasse ainda mais.
Enquanto isso, o poste permanecia impassível, mas havia algo de mágico no ar. As lâmpadas, um tanto amareladas, pareciam brilhar com mais intensidade; talvez até quisessem se engajar nessa festa improvável. E, em um momento de distração, a Lúcia desapertou um dos balões, que subiu aos céus, como se fosse uma pequena oferenda àquele que, mesmo sem pedir, nos mantinha seguros no breu da noite.
À medida que a tarde se desenrolava, várias pessoas passaram, curiosas, e logo estavam se juntando a nós. Os mais velhos lembravam-se de histórias do tempo em que a iluminação da cidade era escassa e como aquele poste era um porto seguro para as caminhadas noturnas, já os mais jovens, esses diziam entre si não imaginar que aquele velho poste tinha tanta importância, só o jovem Roberto, esse foi o único dentre os da sua geração a dizer que, após passar pela rua em uma noite e perceber que a lâmpada, justamente a lâmpada daquele silencioso poste estava apagada, foi dali que percebeu a sua valiosa contribuição e importância.
Assim como os postes, que iluminam as ruas com suas luzes brilhantes ou as deixam na escuridão quando suas lâmpadas se queimam, muitos de nós também transitam entre a luz e a sombra. Alguns brilham intensamente, enquanto outros permanecem na escuridão do anonimato. O velho poste, hoje celebrado, é um símbolo dessa condição. Esquecido por tanto tempo, só é lembrado quando suas lâmpadas se apagam. Mas e nós, que não temos lâmpadas para iluminar? Quem somos? Quem nos vê? Quem lembra da nossa existência?
É necessário refletir e questionar nossa própria identidade e propósito. Somos como postes, que existem para iluminar o caminho dos outros, ou somos mais do que isso? Nossa existência é definida pela nossa capacidade de brilhar, ou há algo mais profundo e significativo? A celebração do poste é um lembrete de que, mesmo os mais esquecidos, têm valor e importância, apenas são ignorados ou esquecidos, mas que também têm brilho. É um convite a refletir sobre nossa própria condição e a buscar nossa própria luz, mesmo na escuridão.




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