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São Paulo,16/03/2026

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Rosivaldo Casant

CONTRATEMPOS PAULISTANOS

Chegamos à estação Consolação e saímos do trem. Todas as estações dessa linha são muito bonitas.

Tata Napolitano Casant (IA)
CONTRATEMPOS PAULISTANOS Avenida Paulista

CONTRATEMPOS PAULISTANOS


– Amanhã teremos que ir à Paulista. – Foi o comunicado recebido numa segunda-feira à noite. Foi o bastante para me deixar irritado. Dormi mal. Acordei pior, mal humorado. A manhã só não detonou de vez porque resolvemos deixar o carro no centro de São Bernardo e tomamos o trólebus e o metrô para chegarmos ao nosso destino.

Chegamos à estação Consolação e saímos do trem. Todas as estações dessa linha são muito bonitas. Pegamo-nos olhando cada detalhe do belíssimo lugar; uma obra de arte que se coaduna perfeitamente com um dos principais museus do país, ali bem próximo. É um lugar  de primeiro mundo para turista andar.

Subimos para a Avenida Paulista. Chegamos ao escritório de uma empresa de consórcio para pagar a última parcela de um produto, às nove e quinze; tínhamos também um resíduo de uma cota contemplada no final do ano anterior para receber. Comunicamos à recepcionista o que desejávamos fazer; ela nos disse que teríamos de pagar a parcela em algum banco. Ficamos aborrecidos porque até o mês anterior, pegávamos ali mesmo. Os procedimentos mudaram e ponto final. Como não adiantava nada ficarmos discutindo, tocamos em direção a alguma agência, tendo o cuidado de perguntar antes à atendente, com aquele humor matutino:

– Se se pode dificultar, para que facilitar! – ironizei – Em qual banco se pode pagar?

– Pode ser pago em qualquer um.

– Obrigado! E a restituição do resíduo?

_ Depois que vocês pagarem e trouxerem o comprovante e dou baixa e os encaminho para o restante. – Acho que ela temeu que saíssemos e não retornássemos mais, até porque, ao menos pareceu-nos, os serviços não se comunicavam; nada tinha a ver pagar a mensalidade de um produto com o saque do resíduo de outro.

Saímos do escritório para o banco; então nos lembramos que eram nove e trinta e teríamos que esperar por mais meia hora para que os bancos começassem a funcionar. Resolvemos andar num shopping próximo. Tomamos um lanche e, depois, olhamos as vitrines de diversas lojas. Eram passados dois minutos das dez, quando percebemos dois bancos ali mesmo, bem perto. Entramos e ficamos na fila cerca de dez minutos e na nossa vez de atendimento ouvirmos que ali só poderíamos pagar em espécie (cash, dinheiro vivo). Com cheque, só no Itaú, recebedor da duplicata; ou no Banespa, banco em que tínhamos conta. Fomos para o Itaú, do outro lado da calçada. Filas diversas, uma para cada gosto. Demoramos para descobrir a nossa e, quando a encontramos, ficamos trinta minutos nela.

– Precisam fazer dois cheques – informou o caixa.

– Por quê? Não estamos entendendo.

– Porque são duas duplicatas, de banco diferentes; uma deve ser paga a este banco, a outra ao Bradesco. Não posso receber um cheque só com o valor das duas; tem que ser um para cada pagamento.

Já havíamos feito um único cheque para pagamento dos dois boletos. Um era do mês anterior, com data de pagamento do mês em curso, por causa da greve dos carteiros. A empresa de consórcios havia mudado de banco cobrador de um mês para o outro, sem comunicar aos consorciados. Anulamos o cheque pronto e fizemos os dois pedidos pelo caixa. Pagamos e retornamos ao Consórcio. Preenchemos o formulário e fomos encaminhados com uma senha às atendentes específicas. Resolvemos tudo e saímos.

– Tenho que telefonar para São Bernardo. São onze e meia e eu teria que estar na escola ao meio-dia para pegar o filhão. Vou ligar para a vó dele e pedir que avise à coordenadora que vou pegá-lo com atraso – informei preocupado.

Avistei dois orelhões, mas nenhum tinha aparelho. Descemos para a estação do metrô; nenhum aparelho à vista. Subimos para o outro lado da Paulista; orelhões ocupados e com filas. Esperei em uma delas até chegar minha vez; liguei com uma única ficha; a ligação caiu. Tivemos que comprar fichas; experimentei outros aparelhos próximos, nada. Seguimos pela calçada, procurando outros que estivessem funcionando. Atravessamos a avenida numa faixa de pedestres e nos vimos diante de outro shopping. Todos os telefones ali funcionavam com cartão. Eu só tinha fichas e as queria usar; para isso segui para uma rua paralela. Tentei … tentei … mas não obtive resultado satisfatório. O jeito foi pegar o metrô e ir embora. O tempo que perdi teria me deixado a meio caminho do compromisso.

No Jabaquara, antes de seguirmos viagem no trólebus, consegui falar com a avó do garoto e pedi que, por gentileza ligasse para a escola e dissesse que o meu atraso era por uma questão de força maior, sendo que gastaria mais tempo na condução que iria pegar naquele momento, mas compensaria quando pegasse o carro (não se preocupem; não era minha intenção sair dirigindo como um maluco; o trecho era curto e com o meu veículo eu chegaria mais rápido, pois poderiam pensar que eu iria de ônibus até chegar ao destino). Só conseguimos pegar o filho uma hora e quarenta minutos depois do combinado e levá-lo para a casa da mãe, meu compromisso diário. Ainda bem que eu tinha algum crédito com a coordenadora. Mas que foi um dia para paulistano nenhum pôr defeito, foi!



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