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São Paulo,28/03/2026

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Rosivaldo Casant

SÓ PENSA NAQUILO!

Eu saio da minha caixa cheio de coisas para escrever, dividir com as pessoas, discutir e ser criticado; a crítica melhora a gente. A crítica só será negativa se quisermos que ela seja.

Tata Napolitano Casant (IA)
SÓ PENSA NAQUILO! Olhar político

SÓ PENSA NAQUILO!


As regras da aposentadoria vão sendo modificadas à medida que a sociedade vai se transformando e os legisladores reavaliam as exigências dos novos tempos, considerando o equilíbrio entre a quantidade de trabalhadores em atividade e  o pagamento dos inativos e pensionistas. Há que se pensar também em outros dispositivos, os chamados “jabutis” que, vira e mexe, são embutidos como garantias de uma velhice mais segura, mas que, triste realidade, são inócuos. Nos últimos anos, foi ficando cada vez mais difícil alguém se aposentar; eu mesmo, como tantos outros, tive a sensação de que estava mais perto a minha passagem para o plano espiritual do que a aposentadoria. Não obstante a minha descrença, a recompensa veio na forma de descanso vitalício remunerado (não como acho que merecia, mas dá para o gasto). Continuo trabalhando, fazendo o que gosto, que é escrever; é uma atividade voluntária, não remunerada (não porque eu queira)e que me dá imenso prazer, pois é uma fabulosa ginástica cerebral, além de uma provocação aos meus amigos mais críticos, que contribuem para que eu busque ser humilde e leia e pesquise muito mais do que já fazia.

Com tempo para aprender e desfrutar o melhor da vida, descobri que ter uma vara de pescar é ótimo para os meus amigos que gostam de preencher a caixa do nada, citada pelo pastor Cláudio Duarte, de um jeito diferente do meu. Eu saio da minha caixa cheio de coisas para escrever, dividir com as pessoas, discutir e ser criticado; a crítica melhora a gente. A crítica só será negativa se quisermos que ela seja. Alguém nos crítica e podemos fazer o que acharmos melhor: aprender que erramos e temos que elevar nosso nível, ou entender que fomos no nosso limite e que foi muito bom; outros podem não concordar, mas, e daí? “Toda unanimidade é burra”, explicita a célebre frase de Nelson Rodrigues. 

Foi pensando no tempo à disposição que resolvemos passar alguns dias em Praia Grande e outros em Ilha Comprida, desfrutando de todas as comodidades que a vida de cidades mais movimentadas oferecem, mescladas à simplicidade e às horas que passam bem devagar de um balneário litorâneo com características do interior. Seja de um jeito ou de outro de viver, em todos os cantos em que tenho morado tenho procurado descobrir o “modus vivendi” (maneira como se vive) dos lugares. Há pessoas que têm dificuldade de aceitar que cada lugarejo tem suas regras de comportamento, de fala, de jeito de entender a vida, de forma que se estão ali é porque faz algum sentido experienciar aquelas sensações e sentimentos. Um bom lugar para tal experimento é a câmara de vereadores. Esta semana mesmo cheguei atrasado para a sessão semanal de uma delas, mas pude conversar com alguns membros daquela casa parlamentar e trocar algumas impressões sobre o que anda bem ou não no município.

Certa feita, participei de uma homenagem à Imprensa. O auditório abrigava em grande parte jornalistas, óbvio, acompanhados de seus familiares. Eu, à época, nem era jornalista, mas fui convidado por ter estado algumas vezes ali, levando alunos para entenderem como funcionava o legislativo da cidade. Conhecedor do recinto, sentei-me em um lugar que permitia ver a mesa diretora e boa parte da plateia. Embora demonstrasse respeito pela solenidade que louvava o trabalho importantíssimo do Jornalismo para uma sociedade bem informada, percebia-se que o público não conseguia esconder sua insatisfação com os erros gramaticais grotescos cometidos por alguns parlamentares. O presidente da reunião tinha dificuldades para ler corretamente o programa preparado por seus assessores. O mal-estar crescia entre os parlamentares à medida que subiam à tribuna e falavam os representantes das entidades de comunicação ali laureadas. Uns dias depois, comentei o episódio com um funcionário daquela casa com quem eu tinha bastante contato e sugeri que ele levasse a proposta de que suas excelências fizessem um curso de oratória, ao que ele fez a réplica:

— Eles não estão interessados em gramática e etc., etc. E nem têm tempo para isso. Os compromissos decorrentes da legislatura não lhes permite oportunidade para cursos, seja lá quais forem! – Fazer o quê? O eleitorado tão ou mais despreparado que eles garantirá outros mandatos.

Voltando à solenidade da câmara, num certo momento, trouxe a fala de um vereador, referindo ao ao veículo principal da homenagem, um jornal de grande circulação na região, numa expressão ousada, triunfal e de efeito, arrematou:

– São muitos os eleitores deste jornal … – refletiu sobre o que havia dito e reformulou – digo, leitores deste jornal … – e seguiu com os rasgados elogios. Houve um riso contido.

Bem, não nos esqueçamos que o tributo era à Imprensa e que o que não faltava naquele local era jornalista. Um, bem na fileira de trás, lembrando a Dona Bela, personagem de Zezé Macedo, na Escolinha do Professor Raimundo, comentou com alguém ao seu lado:

– Político “só pensa naquilo!”



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