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São Paulo,14/02/2026

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Leão XIV reativa privilégios da velha monarquia papal com férias em castelo da Igreja

A residência de verão, usada historicamente como refúgio aristocrático dos chefes da Igreja, estava em desuso desde o início do pontificado de Francisco, que optou — pelo menos simbolicamente — por permanecer no Vaticano.


Leão XIV reativa privilégios da velha monarquia papal com férias em castelo da Igreja

Enquanto o mundo enfrenta crises humanitárias, guerras religiosas e desequilíbrio fiscal global, o Vaticano resgata tradições imperiais. O Papa Leão XIV chegou neste domingo (6) à cidade de Castel Gandolfo, uma luxuosa vila a 20 km de Roma, para duas semanas de reclusão palaciana em meio a aplausos, rituais e pompa eclesiástica.


A residência de verão, usada historicamente como refúgio aristocrático dos chefes da Igreja, estava em desuso desde o início do pontificado de Francisco, que optou — pelo menos simbolicamente — por permanecer no Vaticano, em tom de austeridade. Leão XIV, no entanto, retoma a prática monárquica, sinalizando uma guinada estética e política em seu pontificado.


Castel Gandolfo, com vista privilegiada para o Lago Albano e situado nas colinas de Albanos, é um monumento do velho poder temporal da Igreja. Construído no século XVII e abandonado após a perda territorial do papado em 1870, o palácio só voltou a ser propriedade oficial da Santa Sé após o controverso Tratado de Latrão, em 1929, que devolveu à Igreja privilégios e territórios sob o aval do Estado fascista italiano.


Desde então, a propriedade é símbolo da opulência institucional da Igreja, hoje mais voltada ao turismo e à autopreservação do que à pregação evangélica pura. A volta de um papa ao palácio não é apenas um gesto de descanso, mas um ato político de reafirmação de território, tradição e hierarquia.


Austeridade como exceção, não regra


Durante 12 anos, o papa Francisco se manteve afastado da simbologia aristocrática que por séculos definiu o poder clerical. Preferiu a residência de Santa Marta, recusou títulos nobiliárquicos e promoveu uma retórica de simplicidade — ainda que limitada pela estrutura centralizada do Vaticano.


Leão XIV, ao retornar a Castel Gandolfo, revive a estética do absolutismo eclesiástico: um líder espiritual com poderes estatais, território soberano, guarda armada própria e aparato diplomático. A mesma Igreja que prega o desapego retorna ao castelo murado de onde por séculos impôs dogmas e interferiu na vida política europeia.


Sem agenda pública, mas com recado simbólico


Oficialmente, não há compromissos públicos durante as férias de Leão XIV. Mas sua simples presença no palácio já é um sinal. Em tempos de guerra no Oriente Médio, escândalos financeiros no Banco do Vaticano e crescente desconfiança global em instituições religiosas, a Igreja Católica envia ao mundo a imagem de continuidade e poder ritualizado.


A fé entre os muros do poder


O Vaticano segue operando como um Estado dentro de outro, com fronteiras simbólicas e reais, sustentado por séculos de privilégio legal, isenção tributária e controle narrativo. Enquanto milhões de fiéis buscam consolo espiritual em tempos incertos, seus líderes ainda se revezam entre palácios, tapetes vermelhos e protocolos de corte.


A Igreja que um dia foi refúgio dos pobres retorna aos salões do luxo. E o gesto aparentemente singelo de tirar férias em um castelo pode dizer muito mais sobre o futuro do catolicismo do que qualquer encíclica diplomática.




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