Rosivaldo Casant
DIA DE VACINAÇÃO
Ah! … deve ser dia de vacinação! Eu escutei hoje cedo no rádio que tinha vacinação de crianças num monte de escolas. Vamos para casa logo porque eu preciso pegar seu irmão e trazer ele aqui
VacinaçãoDIA DE VACINAÇÃO
Depois da inscrição e da correria para providenciar documentos magisteriais que permitissem obter alguns pontos de vantagem sobre os outros inscritos para as vagas de professores do município, buscando suplementar os sofríveis vencimentos do trabalho nas escolas estaduais, encontrávamo-nos ali, num ponto combinado no centro de São Bernardo. Apesar da tensão de em algumas horas termos que nos submeter a uma prova, estávamos felizes por nos reunir mais uma vez. Teríamos que nos dirigir a lugares diferentes, conforme as disciplinas de formação; eu era de Língua portuguesa e seria acompanhado por uma colega. Tomamos café numa lanchonete já bem conhecida por todos nós. Seguimos em dois carros e nos distribuímos em três escolas.
A correria do final de bimestre havia impedido que a grande maioria de nós não tivesse conseguido dar uma olhada mais aprofundada na bibliografia fornecida quando da inscrição. Alguns bem que tentaram; foram atrás de resumos que facilitassem a assimilação de algum conteúdo para não passar vergonha. Mas, a verdade é que deveríamos ter nos preparado mais consistentemente. Contávamos com a sorte; aliás, precisávamos era mesmo de um milagre.
Havia muita gente parada na frente da escola em que faríamos a prova, aguardando a abertura dos portões e consequente liberação da entrada das salas de aula. Na realidade, estávamos entre o desejo de entrar e resolver logo tudo, obtendo ou não o êxito desejado e retardar a agonia de ficarmos presos às carteiras até que se concluísse a prova ou o horário de se poder sair do recinto. A colega que me acompanhava reconheceu muita gente com as quais havia feito a faculdade; cumprimentou alguns deles. Eu não tinha ninguém para reconhecer, salvo um milagre, considerando que havia feito o curso bem longe da região em que nos encontrávamos. As pessoas procuravam aparentar tranquilidade, embora os rostos com feições de concentração revelassem o contrário. Eu e a colega comentamos isso, até como uma maneira de não entregar que estávamos igualmente nervosos. uma coisa era certa: quem ali estava não deixaria de entrar por conta de atraso, como soe ocorrer muitas vezes e em diversos lugares, seja em concursos, vestibulares e as mais diversas provas definidoras do futuro das pessoas.
Enquanto os pensamentos pululavam naquele universo paralelo da educação e seus mistérios, fora dos muros daquela instituição e de outras congêneres que abrigavam o certame do qual participaríamos, a vida seguia seu curso. As pessoas normais (ou anormais), ou seja, as que não sonham ou não desejam melhores condições de trabalho, contribuindo com melhores rumos para a educação, ou ainda, simplesmente não pensaram sobre isso, tocavam suas vidas da mesmíssima maneira.
Uma senhora que ia atravessar a avenida, puxando um carrinho de feira e acompanhada de uma menina, chamou nossa atenção. Ela parou diante da faixa de pedestres, olhou em direção à entrada da escola e, estranhando a presença de tanta gente ali, virou-se para a menina ao seu lado e perguntou:
– Você sabe o que está acontecendo na sua escola? Será que não era pra eu ter vindo também? – muito preocupada e encarando a garota com desconfiança, como se ela tivesse deixado de contar alguma coisa; isso já acontecera em outras ocasiões.
– Não, mãe! Ninguém falou nada. – reagiu a menina à desconfiança da senhora.
– Ah! … deve ser dia de vacinação! Eu escutei hoje cedo no rádio que tinha vacinação de crianças num monte de escolas. Vamos para casa logo porque eu preciso pegar seu irmão e trazer ele aqui.
– Que viagem!
– Você me respeita, Cleidiane! Eu sou sua mãe. Eu não estou viajando. Vamos logo para casa. Já até perdi o rumo; não sei o que ia fazer.
– Ia ao supermercado comprar salada.
– Ah! É. Não vamos mais. Vamos para casa.
Olha que loucura; aquela mãe, diante daquele tanto de gente e com as informações ouvidas pela manhã, relacionou uma coisa com outra (cré com lé) e, logo, formulou uma estória que mudou o rumo da conversa para aquela manhã. Bastava perguntar para qualquer um de nós o que estava acontecendo e nada seria diferente; tudo seguiria o roteiro elaborado por ela antes de sair de casa. Só nós rimos daquele imbróglio; creio que ninguém mais atentou para a cena.
Dia de vacinação! Ora bolas, contra o quê nós seríamos vacinados naquele dia? Talvez contra a estupidez de querer enfrentar um concurso sem o devido preparo.
_______________________
ATENÇÃO!
Tão logo recebeu a crônica, uma amiga postou o que segue, "ipsis litteris", exceto o nome dela:
[16:14, 03/04/2026] F H: Boa tarde e boa Páscoa, mas levei um susto com o título da crônica de hoje...
[16:14, 03/04/2026] F H: Olha o que recebi...
[16:14, 03/04/2026] F H: Hj Infelizmente um novo golpe! Um colega do grupo recebeu uma ligação de 95004-1117 pedindo-lhe “para pressionar 2” se ele tivesse sido vacinado.
Aí ele pressionou 2 imediatamente o telefone foi bloqueado, e seu telefone foi hackeado Limparam a conta, fizeram PIX.tudo muito rápido! Portanto,tome cuidado ao receber chamadas semelhantes. Coloque em seu grupo de bate papo .
Avisa para seus familiares!
NOVO GOLPE DO PIX
FICAR ATENTOS
Repassando
GOLPE DA VACINA.
Vamos compartilhar
[16:15, 03/04/2026] F H: Vi o título e pensei, pronto, estão tentando me aplicar o golpe tb kkkkkkk...
[16:15, 03/04/2026] F H: Depois vi o remetente... 🤭



COMENTÁRIOS