Carlos Valentim
Crônica: "A gaveta dos avós"
"A gaveta dos avós"
Dia dos AvósTemcoisas que só os avós guardam.
Não estou falando só das balas 7 Belo na gaveta da cozinha ou da toalha decrochê sobre o sofá de plástico. Estou falando das histórias, dos silêncios edas receitas que ninguém anota, mas que moram na memória da mão.
Avós têmum relógio próprio, onde o tempo anda mais devagar — não por preguiça, mas porsabedoria. Sabem a hora exata de escutar, de olhar fundo, de esperar o neto errarpara ensinar com calma. Eles não precisam de Wi-Fi para se conectar — vivemplugados no afeto.
A gentecresce achando que avô e avó sempre estarão ali, no mesmo lugar, no mesmo tom.Só quando o tempo passa, a gente entende: eles eram a nossa âncora quando tudogirava rápido demais. Eram também nossa lente de aumento, nos mostrandodetalhes que a pressa dos pais não deixava ver.
E vejasó: em tempos de urgência, de tudo ao mesmo tempo agora, os avós permanecem coma arte rara de ouvir sem mexer no celular, de contar histórias com vírgulas esuspiros, de fazer silêncio sem parecer descaso. Eles dominam o que esquecemos:a presença.
Tem avôque vira pai de novo. Tem avó que é mãe pela segunda vez. Em muitas casas, sãoeles que sustentam, acolhem, educam — sem reclamar, mesmo quando o peso domundo cai nas costas.
Neste Diados Avós, não bastam flores nem mensagens prontas. É dia de voltar àquelagaveta esquecida — cheia de memórias, cheiros e canções — e lembrar-se de tudoque aprendemos com eles, mesmo sem perceber.
Porquequando um avô parte, leva com ele uma biblioteca. E quando uma avó sorri, aindaque cansada, ilumina a casa inteira.
Por:Carlos Roberto Valentin




COMENTÁRIOS