Carlos Valentim
Febre Arapouche se espalha pelo Brasil e acende alerta em novas regiões
Doença viral inicialmente restrita à região Norte já é registrada em estados do Centro-Oeste e Sudeste, desafiando autoridades de saúde.
Febre OropoucheDoençaviral inicialmente restrita à região Norte já é registrada em estados doCentro-Oeste e Sudeste, desafiando autoridades de saúde.
Nosúltimos meses, a chamada “febre arapouche” — uma infecção viral antes restritaa áreas rurais e ribeirinhas da região Norte do Brasil — tem apresentado umavanço geográfico preocupante. Casos já foram confirmados em estados doCentro-Oeste, como Mato Grosso e Goiás, e até mesmo em regiões urbanas doSudeste, incluindo cidades do interior paulista. O Ministério da Saúde declarouestado de vigilância epidemiológica ampliada em 12 estados.
A doençaé causada por um vírus da família Bunyaviridae, transmitidoprincipalmente pela picada de mosquitos do gênero Culicoides, conhecidospopularmente como maruins. Os sintomas incluem febre alta, dores muscularesintensas, dor de cabeça e manchas avermelhadas pelo corpo, podendo se confundircom outras arboviroses como dengue e chikungunya.
Segundoespecialistas, o avanço da febre arapouche está relacionado a fatoresambientais e sociais. “As mudanças climáticas e o desmatamento facilitam amigração dos vetores para novas áreas, inclusive urbanas. Com isso, a doençadeixou de ser um problema restrito à Amazônia”, explica a infectologista DeniseMoura, da Fiocruz.
Outrofator que contribui para a expansão é o deslocamento de pessoas entre regiões.Trabalhadores rurais, caminhoneiros e turistas podem transportar o vírusincubado para locais onde ainda não havia circulação.
Embora afebre arapouche raramente evolua para casos graves, o aumento no número deinfecções preocupa por sobrecarregar sistemas de saúde locais e confundirdiagnósticos. Em alguns municípios, como Rondonópolis (MT) e Franca (SP), asunidades de pronto atendimento já reportam aumento expressivo de pacientes comsintomas semelhantes.
OMinistério da Saúde está intensificando campanhas de orientação à população ereforçando o envio de kits diagnósticos. As autoridades também recomendam usode repelentes, instalação de telas de proteção em janelas e atenção a sintomaspersistentes.
Até omomento, não há vacina disponível contra a febre arapouche, o que reforça aimportância da prevenção e do diagnóstico precoce. A expectativa é que, com omapeamento dos novos focos e ações de contenção, o surto possa ser controladoantes de atingir níveis epidêmicos nacionais.
Enquantoisso, os profissionais de saúde seguem atentos e pedem o mesmo à população:qualquer febre súbita, acompanhada de dor muscular intensa e manchas pelocorpo, deve ser avaliada por um médico. A febre arapouche, antes desconhecidafora da Amazônia, agora exige vigilância nacional.
Por:Carlos R.Valentim




COMENTÁRIOS