Entendendo a Doença de Parkinson e os desafios no Brasil
Desde os anos 1960, com a criação da levodopa, o tratamento dos sintomas motores melhorou bastante.
A Doença de Parkinson é uma condição que afeta o cérebro de forma lenta e progressiva. Ela interfere principalmente nos movimentos da pessoa, causando tremores, rigidez e lentidão, mas também pode afetar outras funções do corpo. À medida que a população brasileira envelhece, mais pessoas são diagnosticadas com a doença, o que aumenta a preocupação com seus impactos sociais e econômicos.
No Brasil, esse cenário se torna ainda mais relevante porque o número de idosos está crescendo rápido. Uma pesquisa feita em 13 países da América Latina estimou que há cerca de 472 casos de Parkinson para cada 100 mil pessoas. Já um estudo feito aqui no Brasil, chamado Estudo Bambuí, mostrou que 3,3% dos idosos com 64 anos ou mais convivem com a doença.
Apesar de ainda não existir cura, identificar o Parkinson logo no início e oferecer o tratamento correto pode fazer muita diferença na vida do paciente. O problema é que o acesso a esse tipo de cuidado ainda é muito desigual no país. E além do sofrimento causado pela doença, os custos com medicação, reabilitação e acompanhamento médico são altos. Um estudo estimou que o gasto médio por paciente, por ano, gira em torno de 4 mil dólares, incluindo tanto despesas médicas quanto perdas relacionadas à produtividade e apoio familiar.
O papel da levodopa no tratamento
Desde os anos 1960, com a criação da levodopa, o tratamento dos sintomas motores melhorou bastante. Desde os anos 1960, com a criação da levodopa, o tratamento dos sintomas motores melhorou bastante. A medicação trouxe mais qualidade de vida e independência aos pacientes. Outras drogas também foram desenvolvidas desde então, algumas delas disponíveis gratuitamente no Brasil. Mesmo assim, com o avanço da doença, muitos pacientes ainda enfrentam dificuldades que os remédios não conseguem resolver completamente.
Cirurgias e novas esperanças
Nas últimas décadas, surgiram tratamentos mais avançados. Um dos principais é o Estímulo Cerebral Profundo (ECP), uma cirurgia que implanta eletrodos no cérebro para aliviar os sintomas. Essa técnica, disponível pelo SUS, tem ajudado pacientes com Parkinson em estágio avançado, quando os medicamentos já não são suficientes.
A chegada dessa tecnologia trouxe novas possibilidades, mostrando que intervenções cirúrgicas também podem fazer parte do cuidado com doenças neurodegenerativas.
Novos desafios
Mesmo com todos os avanços, ainda há muito o que fazer. Pacientes que vivem mais tempo com a doença costumam desenvolver dificuldades para andar e manter o equilíbrio, além de sintomas que não melhoram com os tratamentos atuais. Apesar das pesquisas ao redor do mundo, ainda não temos um remédio capaz de curar o Parkinson ou impedir seu avanço.
Por isso, é essencial que o Brasil invista mais em políticas públicas que garantam diagnóstico precoce, tratamento acessível e acompanhamento contínuo. Apoio social, equipes multidisciplinares e campanhas de informação também são fundamentais para melhorar a vida de quem convive com a doença e reduzir o impacto dela no país.




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