Estudantes de medicina lamentam morte de paciente após polêmica com vídeo nas redes sociais
Em um trecho, uma das estudantes chegou a questionar em tom irônico: “Ela acha que tem sete vidas?”, o que gerou críticas pela suposta falta de empatia.
As estudantes de medicina Gabrielli Farias de Souza e Thaís Caldeiras Soares Foffano vieram a público nesta semana para lamentar a morte de uma paciente submetida a um raro terceiro transplante de coração. As duas haviam publicado um vídeo comentando o caso, o que gerou forte repercussão nas redes sociais. Segundo elas, a intenção era apenas demonstrar surpresa diante de um quadro clínico incomum, e não expor a paciente.
"Queremos expressar nossos sentimentos à família e esclarecer que jamais foi nossa intenção expor ninguém. O vídeo teve como única motivação a surpresa diante de um caso raro, que conhecemos em um ambiente de aprendizado médico", afirmaram em nota.
As alunas também destacaram que não tiveram contato direto com a paciente nem acesso ao prontuário médico. “Nem sabíamos seu nome completo”, disseram. No vídeo — que foi deletado após a repercussão negativa — elas comentavam nunca ter ouvido falar de casos em que um paciente recebesse três transplantes de coração. Em um trecho, uma das estudantes chegou a questionar em tom irônico: “Ela acha que tem sete vidas?”, o que gerou críticas pela suposta falta de empatia.
Na gravação, também foi sugerido que o terceiro transplante teria sido necessário por negligência da própria paciente, o que aumentou ainda mais a indignação pública. Dias após a publicação, a mulher faleceu.
Thaís é estudante da Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (Faseh), em Belo Horizonte, e Gabrielli cursa medicina na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. Ambas as instituições divulgaram notas oficiais idênticas, repudiando o conteúdo do vídeo e destacando que ele não reflete os valores das universidades.
O caso clínico foi apresentado às alunas durante um curso de curta duração no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), onde a paciente estava internada. A USP esclareceu que as duas estudantes não possuem qualquer vínculo com a universidade ou com o Instituto do Coração (Incor).
A família da paciente registrou boletim de ocorrência e formalizou uma denúncia junto ao Ministério Público. A Polícia Civil investiga o caso como possível injúria.




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