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São Paulo,14/02/2026

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Na Cúpula dos Brics, Lula denuncia o caos global – mas repete o mesmo jogo geopolítico das grandes potências

A frase resume bem a estratégia retórica do petismo internacional: condenar “ambos os lados”, mas responsabilizar sempre os mesmos.


Na Cúpula dos Brics, Lula denuncia o caos global – mas repete o mesmo jogo geopolítico das grandes potências


Em mais um discurso recheado de retórica internacionalista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu a 17ª Cúpula dos Brics neste domingo (6), no Rio de Janeiro, afirmando que o mundo vive seu “cenário mais adverso desde a Segunda Guerra Mundial”. E, como de costume, apontou para os "outros" como os culpados — especialmente o Ocidente e a OTAN.


O presidente atacou diretamente o aumento dos gastos militares pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), acusando a aliança de alimentar a corrida armamentista, e sugeriu que o dinheiro da guerra deveria ser investido na Agenda 2030 — uma proposta globalista que, na prática, visa concentrar poder regulatório em instituições supranacionais, descoladas do cidadão comum.


ONU falida, mas ainda central na retórica globalista


Lula denunciou aquilo que ele mesmo chamou de “colapso do multilateralismo”, citando a falência funcional da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo ele, o Conselho de Segurança virou “uma peça de teatro onde todos conhecem o roteiro”. Mas, contraditoriamente, defende a reforma da mesma ONU — pedindo mais assentos permanentes para países como Brasil e Irã — como se isso fosse solução para uma estrutura que já provou ser ineficaz, burocrática e refém dos interesses das grandes potências.


No centro da fala, o presidente brasileiro repetiu o discurso que vem insistindo nos últimos meses: chamou as ações de Israel na Faixa de Gaza de “genocídio”, ignorando os ataques terroristas do Hamas como causa inicial do conflito e omitindo o histórico uso da população civil como escudo humano por parte do grupo extremista. Em sua fala, “absolutamente nada justifica o terrorismo”, mas “não podemos permanecer indiferentes ao genocídio de Israel”.


A frase resume bem a estratégia retórica do petismo internacional: condenar “ambos os lados”, mas responsabilizar sempre os mesmos.


Brics: um bloco contra o Ocidente — e por um novo centro de poder


O encontro do Brics — agora com 11 membros plenos e dezenas de parceiros — foi projetado para discutir temas como clima, saúde, IA e segurança global. Mas, na prática, o bloco se consolida como uma frente geopolítica contra os EUA e a Europa, com China, Rússia e Irã puxando a agenda.


Lula sabe disso. E tenta manter o Brasil numa posição de "neutralidade ativa", que flerta com os interesses autoritários do Leste enquanto condena o Ocidente por seus pecados históricos. É a velha tática do não-alinhamento usada para justificar alinhamentos oportunistas.


A proposta de governança sobre Inteligência Artificial, por exemplo, pode parecer moderna, mas oculta um projeto de vigilância e regulação global que centraliza decisões técnicas em mãos políticas, com pouca transparência e nenhuma responsabilização.


Retórica da paz, práticas do poder


O discurso de Lula tem apelo popular: fala contra a guerra, pede diálogo e denuncia desigualdades. Mas ignora completamente que Estados são os maiores promotores da guerra, e organismos como a ONU são tão disfuncionais quanto seus membros. Apelar à reforma dessas instituições soa como pedir para que o lobo tome conta do galinheiro — apenas com novas regras.


Ao atacar a OTAN por seus gastos com defesa, Lula tenta parecer o pacificador global — mas lidera um país que mantém laços militares com ditaduras e financia, via BNDES, projetos em regimes pouco democráticos. O mesmo Lula que critica o imperialismo do norte, alinha-se ao expansionismo da China, ao belicismo russo e à influência teocrática do Irã.


Agenda 2030: o novo véu do controle centralizado


A defesa da Agenda 2030 no discurso presidencial revelou o verdadeiro pano de fundo: a construção de um arcabouço internacional onde elites governamentais e tecnocratas ditam regras globais sem qualquer respaldo direto do cidadão comum. É a substituição da soberania nacional e da liberdade individual por uma burocracia transnacional.


“É sempre mais fácil investir na guerra do que na paz”, disse Lula. Mas talvez o mais difícil seja admitir que a paz jamais virá de fóruns multilaterais capturados por interesses corporativos e estatais, mas sim de um mundo onde o indivíduo tenha mais autonomia, menos impostos e mais liberdade para se proteger e prosperar.




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