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São Paulo,14/02/2026

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EUA apontam “elementos ligados ao Hamas” por ataque em Gaza e tentam justificar continuidade da ofensiva militar

A declaração do Departamento de Estado surge em um contexto de crescimento da pressão internacional pelo cessar-fogo.


EUA apontam “elementos ligados ao Hamas” por ataque em Gaza e tentam justificar continuidade da ofensiva militar

Em mais um movimento que reforça sua postura intervencionista e unilateral no Oriente Médio, o governo dos Estados Unidos acusou neste final de semana “elementos ligados ao Hamas” de estarem por trás de um ataque ocorrido no sábado (5) em um ponto de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. A explosão teria ferido dois cidadãos norte-americanos ligados à Gaza Humanitarian Foundation (GHF), organização apoiada por Israel e Washington.


A declaração do Departamento de Estado surge em um contexto de crescimento da pressão internacional pelo cessar-fogo, mas parece seguir a lógica cínica de sempre: culpar o inimigo externo para justificar a continuidade de bombardeios indiscriminados e o financiamento de operações militares israelenses, mesmo diante do colapso humanitário que atinge civis palestinos há quase dois anos.


Os feridos, segundo comunicado oficial, são ex-integrantes das forças especiais dos EUA que hoje atuam como seguranças privados, a serviço da GHF e da empresa UG Solutions, da Carolina do Norte. O próprio relato da empresa admite que os contratados “não reagiram” ao ataque, alegando risco aos civis — o que não impediu o governo americano de disparar acusações sem apresentar provas, como tem sido comum em sua política externa baseada em narrativas convenientes.


O grupo Hamas rebateu com veemência, classificando a acusação como “enganosa” e parte de uma “falsa narrativa” que tem como único objetivo legitimar os ataques contínuos de Israel sobre Gaza, sob chancela e financiamento dos EUA. “Rejeitamos categoricamente e de forma inequívoca as alegações feitas pelo Departamento de Estado dos EUA”, afirmou o grupo, em comunicado oficial, acusando Washington de encobrir crimes de guerra sob o pretexto de ajuda humanitária.


Enquanto isso, o povo palestino continua pagando o preço. Só nas últimas 24 horas, quase 100 civis foram mortos em ataques israelenses, segundo dados da Defesa Civil de Gaza. A crise humanitária se aprofunda, com escassez severa de alimentos, água, medicamentos e energia, em uma região sitiada e destruída por meses de ofensiva militar.


Cessar-fogo segue empacado — e manipulado


As negociações por um cessar-fogo em Gaza seguem travadas. Embora o Hamas tenha dado resposta positiva à proposta intermediada pelo Catar, Israel rejeitou as condições, chamando-as de “inaceitáveis”. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, pressionado internamente por alas radicais de seu governo, parece disposto a prolongar a guerra, mesmo ao custo de mais vidas civis e da instabilidade regional.


Fontes próximas às negociações confirmaram à imprensa internacional que uma nova rodada de conversas indiretas entre Hamas e Israel será iniciada neste domingo (6), em Doha, com mediação do Catar. A delegação israelense já foi enviada, enquanto representantes do Hamas, liderados por Khalil al Hayya, chegaram à capital do país árabe na noite anterior.


Curiosamente, os EUA — os mesmos que acusam e julgam — seguem ocupando a mesa de mediação do conflito. O presidente Donald Trump deve receber Netanyahu na Casa Branca nesta segunda-feira (7), em mais um gesto de apoio irrestrito à política israelense na região. O envolvimento norte-americano, mais do que buscar a paz, parece buscar controle geopolítico e projeção eleitoral, utilizando o drama humano como moeda de barganha.


Liberdade, soberania e o preço da guerra patrocinada por Estados


A guerra iniciada em 7 de outubro de 2023, após o ataque do Hamas ao sul de Israel, já resultou na morte de mais de 1.200 israelenses e mais de 30 mil palestinos, em sua maioria civis. O ciclo de violência — alimentado por décadas de ocupação, interferência internacional e omissão das grandes instituições globais — continua sendo tratado como uma equação militar, quando na verdade é um colapso civilizatório.


Enquanto isso, o cidadão comum — tanto em Gaza quanto em Tel Aviv — segue refém de decisões tomadas por burocracias armadas, interesses corporativos e acordos de bastidores que nada têm a ver com liberdade, autodeterminação ou justiça.


O Portal Sensus seguirá acompanhando com espírito crítico e foco na liberdade dos povos e na denúncia da lógica autoritária que sustenta a guerra como política de Estado.




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