Musk rompe com Trump, lança "America Party" e é alvo de ameaças do Estado e do mercado controlado
Rompimento com Trump expõe o jogo de poder partidário.
A liberdade individual voltou a incomodar o establishment político dos Estados Unidos. Após o bilionário Elon Musk anunciar neste sábado (5) a criação do "America Party", em clara ruptura com o presidente Donald Trump e o Partido Republicano, a reação estatal foi imediata — e nada sutil.
No domingo (6), o atual secretário do Tesouro, Scott Bessent, atacou Musk publicamente, dizendo que ele deveria “abandonar suas ambições políticas” e “se concentrar na Tesla e na SpaceX”. A fala, emitida em rede nacional, escancara a visão autoritária de que o empreendedor deve permanecer obediente ao aparato estatal e evitar exercer seu direito à atuação política, especialmente quando contraria interesses do poder.
Rompimento com Trump expõe o jogo de poder partidário
Musk, que por anos foi conselheiro informal de Trump, rompeu com o ex-presidente após o Congresso aprovar, com apoio unânime dos republicanos, um pacote fiscal que aumenta os gastos com defesa e fronteiras, enquanto reduz impostos de maneira desigual — concentrando benefícios em setores controlados por aliados do governo.
Ao anunciar o “America Party”, Musk deixou claro que o objetivo é combater parlamentares republicanos que abandonaram qualquer compromisso com responsabilidade fiscal. Em suas palavras, o projeto de Trump, apelidado cinicamente de “grande e belo projeto”, está “condenando os EUA à falência”.
A resposta do sistema veio rápido: o mercado financeiro, sempre sensível a pressões estatais e alinhamentos políticos, começou a se movimentar contra Musk.
Mercado financeiro se curva ao poder político
A Azoria Partners, gestora que planejava lançar um fundo de índice (ETF) atrelado à Tesla, anunciou o adiamento do projeto, alegando “conflito com as obrigações de Musk como CEO”. Mas a justificativa oficial foi acompanhada por ataques políticos disfarçados de preocupação institucional.
O CEO da gestora, James Fishback — abertamente pró-Trump — afirmou que “Elon não nos deixou outra escolha”. Em publicação na rede X, o empresário incitou o conselho da Tesla a convocar uma reunião de emergência para questionar a atuação política de Musk, em um gesto que mais parece chantagem institucional do que uma preocupação corporativa genuína.
Trump responde como estatista: ameaça subsídios
Em reação, Donald Trump abandonou qualquer aparência de respeito ao livre mercado. Acusou Musk de agir por interesses próprios e ameaçou retirar os bilhões de dólares em subsídios e contratos públicos que hoje beneficiam tanto a Tesla quanto a SpaceX — uma admissão clara de que o poder estatal é usado como moeda de controle e punição.
O presidente parece mais incomodado com a dissidência do que com a integridade das contas públicas. A Casa Branca tentou manter tom neutro, mas seu porta-voz, Harrison Fields, exaltou a “força da base republicana” e celebrou a centralização de poder político em torno de Trump.
Democratas comemoram o racha — e o avanço da máquina estatal
O Partido Democrata, longe de representar uma alternativa à centralização autoritária, comemorou o racha entre Musk e Trump como oportunidade eleitoral. “O partido MAGA está se partindo”, declarou Abhi Rahman, porta-voz do Comitê Nacional Democrata. O que deveria ser um debate sobre liberdade de expressão e pluralismo político virou apenas mais uma aposta eleitoral do aparato estatal.
Liberdade ameaçada pela aliança entre Estado e mercado regulado
O que se observa, mais uma vez, é o colapso da falsa dicotomia entre esquerda e direita. Quando indivíduos resolvem se posicionar fora da cartilha dos partidos dominantes, o sistema responde com boicote, ameaça, coerção econômica e manipulação institucional. Musk, por mais polêmico que seja, exerce um direito fundamental: o de pensar, falar e agir politicamente sem pedir permissão ao Estado — nem a seus aliados corporativos.
O Portal Sensus continuará acompanhando os desdobramentos desse caso com o olhar crítico de quem defende o indivíduo contra a tirania — seja ela estatal, partidária ou corporativa.




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